RESENHA CRÍTICA – MÚSICA “Eu preciso aprender a ser só” – Gilberto Gil, Por Fernando Macedo

RESENHA CRÍTICA – MÚSICA “Eu preciso aprender a ser só” – Gilberto Gil

 

Na canção “Eu preciso aprender a ser só” de Gilberto Gil, nos leva entender um diálogo, ou uma percepção que o autor está tendo consigo mesmo ou com alguém, sobre a forma como ele deve encarar a vida, e se comportar diante do que está proposto diante dele. Inicia fazendo referência da quantidade de coisas que se tem a saber, da necessidade que há de obter o conhecimento não por prazer ou satisfação, mas por obrigação, e de quem está tendo que dar uma satisfação da qual não está nem um pouco interessado. No seu caso, como se estivesse sendo cobrado sobre o que se deveria cantar, a forma como ele deveria andar e até onde ir. Estava sendo monitorado sobre o que deveria dizer, ou até o que não dizer, e o pior a quem querer. Isso me fez lembrar, da época de solteiro, quando meus pais, amigos e parentes, palpitavam sobre com quem eu deveria ficar, namorar ou até casar. O fato de não ter interesse em algum compromisso sério naquela ocasião, não gerava em mim qualquer problema, mas sim nos outros. O interessante é que a angustia não vinha por não saber o que não dizer, ou o que dizer, ou para onde ir, conhecer ou não conhecer, era justamente o que e como justificar as “gentes”!

A forma constrangedora, como o autor, se refere ao não saber lidar, o faz ter uma reflexão quase que sinestésica, e por um momento de solidão, talvez não porque não tinha a capacidade de ter uma companhia, e sim por opção de desejar ser só.

O nó no peito, que acaba se desatando porque consegue expressar em lágrimas, em seus momentos só, demonstra a necessidade de ter um momento em particular para suas reflexões, usando máscaras por vezes necessárias ao ambiente inserido.

O fato de esconder seus momentos de intimidade, revela parte de sua personalidade, onde se tem uma rara consciência de que o abacaxi da vida, somente nós podemos descascar. Ou seja, apenas nós podemos iniciar essa viagem para dentro de nós mesmo, ainda que com ajuda de outro, somente nós temos acesso ao lugar da decisão, que para muitos encontra-se no coração, ou seja, “a casa do sofrer”.

O interessante é que “a casa do sofrer”, onde normalmente traria melancolia, através de uma sensibilidade de ouvir, quem sabe uma canção, o faz refletir no grande dilema, que ao saber lidar com toda pressão social, da forma como ele escolheu viver, deverá, contudo, aprender a ser apenas aquele que se é, reagindo aos “ataques”, com seu ser. A melhor resposta que se deve dar a quem quer que seja, é de que, não se é guiado pelos outros, e sim, por si só, pela própria consciência.

Fernando Macedo

Aluno do curso de psicologia – Unifacs

 

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