Repercussão da entrevista do Caio Fabio no The Noite com Danilo Gentili

Após a entrevista, fiz apenas um comentário em minha própria linha do tempo, mas com o tempo e a repercussão decidi expor aqui os comentários imparciais (sem a sindrome de fã caiofabiático) mais coerentes que ouvi ou li de alguns conhecidos e ou desconhecidos, e até aqui segue isso aí:

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Só acho desnecessário dar “pauta” para aos vendilhões quando sequer tinha sido perguntado ou sugestionado sobre eles especificamente, mas isso é tão comum em suas falas que não tira o brilho da convicção do evangelho genuíno tão claramente exposto, além de conseguir deixar claro o que eles (alguns dos líderes evangélicos da atualidade) fazem com o povo indouto…resta-nos acreditar que um dia despertarão do berço esplendido, e chegarão ao pleno conhecimento simples da verdade!
Fiquei comedido e fiz uma critica mais evasiva a respeito de um homem tão benévolo no conhecimento pleno do evangelho genuino. 
A verdade é que há anos acompanhando ele (principalmente pós-fato de 98) evendo a diferença (conciência de evangelho) anos luz de muitos que tiveram esta mesma oportunidade (de lá para cá) na mídia (canal de tv aberto) e nada fizeram senão maximilizar a si mesmo, confesso que ansiosamente e até de forma injusta da minha parte esperava mais dele. 
Mas enfim, contudo não deixou de fazer a diferença!
(Fernando Macedo)

Veja aqui a entrevista completa:

 

 

 

Registro meu carinho e admiração ao querido amigo Caio Fabio que apenas reafirmou suas convicções e seu compromisso com a verdade sem nenhum aprisionamento religioso.
Gostei muito da entrevista dada e quem desejar saber mais do Evangelho que Caio crê, vá aos milhares de vídeos e outras tantas entrevistas onde ele trata outros tantos temas a luz do Evangelho.
No que diz respeito ao Evangelho, pra mim, Caio continua me instruindo e me ajudando a interpretar as Escrituras tendo Jesus de Nazaré como chave hermeneutica pra tudo.
É a partir de Jesus de Nazaré que vejo a vida!
Obrigado Caio!!
Com amor e admiração.

(Carlos Bregantim)

 

 

É tãopouco o espaço dado ao evangelho, que as pautas devem ser criadas na marra como forma de colocar as coisas no seu devido lugar.

(Dilson Cunha)

 

Caião, como ele mesmo diz: pregando e vivendo uma doce revolução. Quem quiser vir que venha sem neuroses e discriminação, não fazendo do Evangelho uma confusão, se abrindo de coração, não sendo tolo nem idolatrando ladrão, desejando viver na contramão, desse meio evangélico lambão, que diz viver na luz mas gargalham na escuridão, entre pajés e caciques no templo de Salomão, que não sabem nem por onde começa uma genuína salvação. Ah por favor, não me entendam mal, pois quem fala é um pequeno náufrago que luta tentando viver em Cristo de coração!!!

(Marcos Ferreira)
Quando se expressar em verdade provoca a fúria dos idiotas…

(Fernando Lima)

 

Acho que Caio vai ser melhor aproveitado quando vier na Gabi (Marília Gabriela)

(Marlene Paiva)

‘O Acompanho desde 1994 quando ainda era Menino e Engatinhava na Fé através de meus Pais,e fico Feliz em Saber que ainda tem Gente Sincera,Verdadeira,sem Pudores,sem Capas de Pseudo-santidade e Pseudo-teologia,que trata os Dilemas da Vida como São sem se Esconder atrás de Nada!!!!Falando com Sinceridade,Simplicidade e Peito Aberto!!!Valeu á Pena mesmo que tão Rápido.

(Daniel de Lima Montenegro)

 

“Pois quando alguém diz: “Eu sou de Caio Fábio”, e outro: “Eu sou de Fábio de Melo”, não estão sendo mundanos? Afinal de contas, quem é Fábio de Melo? Quem é Caio Fábio? Apenas servos por meio dos quais vocês vieram a crer, conforme o ministério que o Senhor atribuiu a cada um”. Adaptado de 1ª. Coríntios 3:4-5

Eu já estou nisto há muito tempo… Talvez, por isso, já tenha visto quase tudo o que havia para se ver… E o que eu vi ontem? Alguma coisa nova? Algo extraordinário? Não. Eu vi um homem de bem, cheio de rugas no rosto e sofrimentos na alma, que já enterrou pai e mãe, que já enterrou filho, que gastou toda a vida em prol do Evangelho, indo e vindo sem parar, numa rotina louca, pregando e ensinando a Palavra, em todos os lugares e em todas as denominações cristãs dentro e fora do Brasil, sentar num sofá para bater um papo sobre a fé. Simples assim…

Este mesmo homem foi – e ainda é – a maior expressão como pregador, mestre, pensador e escritor cristão no Brasil. Ele foi protagonista das maiores e mais bem sucedidas iniciativas evangélicas em nossa nação, através da VINDE e da Fábrica de Esperança – iniciativas do Evangelho Integral – além de possuir centenas de livros publicados, lidos por milhões de pessoas, um site com um compêndio de textos do tamanho de uma biblioteca virtual, além de uma das mais ricas vidiotecas sobre temas variados da fé em Jesus Cristo em bancos de imagens.

Esse “reverendo”, que abençoou a estes milhões e marcou uma geração inteira, que influenciou teólogos, líderes, pastores, escritores, bispos e presidentes de denominações, foi execrado em função de problemas de natureza íntima, pessoal e familiar, de forma pública e insuportavelmente intolerante – característica peculiar do movimento religioso – até praticamente sucumbir em sua vida e ministério. Mas aprouve a Deus, que o queria livre e leve, o levantar do “pó e do caos” para que continuasse pregando e ensinando para todo aquele que deseje ouvir e aprender sobre Jesus e o Evangelho.

Aí o Caião vai a um programa de televisão e o “mundo religioso” fica em polvorosa! Todo mundo critica, todo mundo crucifica, todo mundo persegue, mas todo mundo quer ver e ouvir o que o cara tem a dizer. “Joga pedra na Geni!”, gritam os fundamentalistas. “Joga pedra na geni”, alardeiam os ortodoxos, os guardadores da moral, dos bons costumes, da ortodoxia irreparável. Sim, estes que hoje jogam pedras são os mesmos que o endeusavam há anos atrás. Muitos dos que desejam ver Caio Fábio enterrado, comeram na sua mesa ou jantaram das sobras do seu ministério.

Fato, é que a história sempre se repte. O sábio estava mesmo certo… “Não há nada de novo debaixo do sol”. Quem hoje crucifica o Caio, e se arvora a dizer que ele é um herege, que suas colocações são anacrônicas, não tem nem coragem nem envergadura para sentar com ele numa mesa e discutir, cinco minutos, com a bíblia aberta. A grande maioria dos que, hoje, desferem golpes certeiros, está, na verdade, debaixo da saia de algum outro líder, bebendo de alguma outra “fonte”, se deliciando com o “herói” do momento, endeusando seu totem de ocasião, pois singularidade e autenticidade é privilégio conquistado por poucos.

E por que, então, este texto? O Caio Fábio precisa de ajuda? Precisa de alguém para defendê-lo? Ora, isso é ridículo! O homem não tem mais nada para provar para ninguém. Ele vai num programa e o mundinho religioso brasileiro entra em pânico. Então, qual a justificativa? O texto é para que eu não me cale diante desta geração perversa! Para que eu saiba, sempre, em “Quem eu tenho crido”, independente de Caio ou de outro qualquer, mas também para que não me esqueça de dizer: “A quem honra, honra”, como afirma a Escritura.

Ora, dizem alguns, “você concorda com tudo o que Caio disse?”. Meu Deus! O Caio falou em nome de Caio, não em nome dos evangélicos brasileiros! O que vocês esperavam? Que ele chegasse lá de paletó e gravata, que saudasse Danilo com a “paz do Senhor”? Que falasse chavões do evangeliquês gospel e recitasse versículos bíblicos? Vocês queriam ver o “Caio Fábio dos evangélicos”, como no passado, mas não compreenderam que, para ele, não dá mais para ser de Deus, por vocês, para crer, por vocês, para sentir, por vocês, para viver, por vocês!

Sem soberba alguma, se você me der uma mensagem, uma entrevista ou um texto, de qualquer pregador, professor, pastor, mestre, conferencista cristão, eu lhe revelo, sem grandes esforços, dezenas de incongruências, falhas hermenêuticas, problemas semânticos, e por aí vai. Uma análise de “lupa”, sobre o que alguém fala, sobretudo quando não há boa vontade, revelará sempre alguma inconsistência. Mas eu lhe garanto que, naqueles pouco mais de 25 minutos, se falou mais do Evangelho, com um poder de alcançar gente que ainda não o compreendeu, do que nas milhares de horas da TV aberta nos programas ditos evangélicos.

No mais, quem gostou, gostou. Quem não gostou, que atire a primeira pedra! Enquanto muitos criticam, de suas poltronas, de suas salas vazias, de seus escritórios eclesiásticos, de suas catedrais frias, do alto de uma pseduo-ortodoxia, o homem vai pregando 3 horas por dia ao vivo na webtv, continua escrevendo, ensinando, liderando o movimento Caminho da Graça, abrindo pequenos grupos, acolhendo caídos, feridos, perdidos, motivando ações humanitárias na África, com o Caminho Nações, no sertão nordestino, com o SOS Religar, além de influenciar milhares de pessoas em todo o mundo com a mensagem que Deus lhe confiou.

Por fim, gostaria de dizer que este texto não é uma provocação. Ele não é dirigido a ninguém, especificamente, nem a nenhum grupo, em particular. É meu desabafo, na minha time line, e merece ser respeitado. Se você não gosta, critique com sabedoria e educação, pois não desejo expor ninguém com um contra-argumento duro, se necessário. O que está aqui é apenas a fala de um homem já vivido, com quase 50 anos de idade, mais de 30 no Evangelho, que já andou o suficiente para saber como essa “roda” gira e como as coisas funcionam. Com reverência e respeito, sempre, e o coração pacificado em amor e graça,

(Carlos F S Moreira)

 

 

Ontem numa  entrevista de Caio Fábio a Danilo Gentili (The Noite, SBT) suscitou muitos comentários imbecis pelo Brasil afora.

Pisar no território que circunda Caio é muito arriscado. Ele foi,  e sem dúvida continua sendo, de uma imensa importância para o contexto evangélico brasileiro, e examinar os problemas que o cercaram nas ultimas décadas nos revela muito sobre nós mesmos. Inclusive a entrevista exibida ontem (24/06/14).  Se você quiser se divertir com a polaridade dos pontos de vista, leia a tweetfeed de ontem com a #caiofabio. Não existe meio termo. O homem ou é o diabo ou é um semideus.

Por isto vai ser impossível sair deste artigo ilesa. O Caio inspira ódios extremos e amores extremos. Minha pretensão neste artigo não é afirmar este ou aquele ponto de vista, mas é dar uma olhada rápida no paradigma de liderança da cultura brasileira. No meu ponto de vista a  “questão Caio” não foi apenas problema  dele como indivíduo, mas de todos nós que cultivamos e permitimos que esta cultura disfuncional se perpetue.

Digo que o problema mora na cultura brasileira no sentido genérico e não cultura evangélica, porque os aspectos aos quais vou me referir não são exclusividade dos evangélicos mas fazem parte da nossa formação cultural nacional. Refletem  partes de nossa identidade que não conseguimos despir, que mesmo estudando a Bíblia não fomos capazes de desconstruir para transformar. Revisitar axiomas culturais e repensar valores à luz da Palavra é essencial para saúde espiritual, mas é uma tarefa muito árdua. Me ajude aqui. Se você tem algum “insight” a acrescentar  vou publicar seu comentário.

É importante lembrar também de que as deformações  culturais humanas convivem com a revelação de Deus desde sempre. A revelação divina não tem o poder em si mesma de  tornar as culturas perfeitas.  É apenas  um farol no meio delas. Na narrativa bíblica percebemos isto claramente.  A busca pela transformação tem que ser uma busca humana. Não é trabalho de Deus transformar culturas, mas nosso.

Vou fazer um pulo fora do assunto Caio, para discutir um pouco o modelo cultural de liderança que marcou a sua era, e infelizmente feriu a ele e a  muitos. Depois volto à aplicação. Tenha paciência.

O paradigma cultural de liderança

O paradigma cultural de liderança é obvio o suficiente para ser reconhecido sem muito estudo. Mas podemos dissecá-lo um pouco.

Por causa da posição, líderes são alçados à uma condição supra-humana.

No espaço religioso ou no espaço de trabalho o líder tem que ser mais do que um mero colega. Ele tem que demonstrar qualidades que o colocam acima dos vis mortais, e se portar como se não fosse apenas mais um do rebanho para obter respeito.  No mundo religioso esta nuance de ser um ser “melhor” que outros, por isto líder, torna-o um semi-Deus.

 

Liderança é posição e não função

Liderança te atribui uma posição na escala social verticalizada brasileira. Usamos a linguagem hierárquica e posicional em nosso dia a dia. “Quem está acima de você?”  “Um homem na minha posição…” “Galguei este espaço…”  etc.

Na cultura brasileira em que identidade pessoal é definida de acordo com o valor que o grupo te atribui, o conceito de liderança  verde amarelo fica inerentemente preso à noção de valor atribuído. (Você sabe com quem está falando?)

A sociedade brasileira é verticalizada. As pessoas se inserem em camadas que definem sua maior ou menor “importância” dentro do tecido social. Não seria possível falar de pessoas mais ou menos “importantes” o conceito de valor individual fosse o conceito bíblico. Na Bíblia indivíduos são importantes por causa de sua natureza única  não pelo que possam  representar para a sociedade. (Matta 1997)

Infelizmente esta ideia pagã de valor social é travestida de linguagem bíblica na cultura religiosa. O pastor é “anjo” da igreja, o profeta, apóstolo. Infelizmente repetimos a igreja Católica na sua cultura clericalizada, que refletia a hierarquia dos países monárquicos onde ela foi nutrida. O clero é a nobreza, e os outros os comuns.

 

A distância impossibilita o diálogo- o líder não pode ser vulnerável

Não existe espaço para a vulnerabilidade do líder: fraquezas tem que ser necessariamente maquiadas ou escondidas ou o líder perde a posição. Portanto, poucos tem a coragem de se mostrar humanos.  Líderes tem que ser necessariamente auto-suficientes porque não podem depender de outros, pelo menos não abertamente.

O líder brasileiro é extremamente solitário. Ele não pode expor suas dores e dúvidas aos “comuns”, ou seja aos que estão “debaixo” dele, e não pode expô-las a seus colegas, outros líderes. Porque ali  se compete mutuamente. Também não há espaço para sua humanidade. Se um líder busca conselhos, o faz com alguém que considere “superior” a si. Se ele está no topo da pirâmide, então não tem a quem consultar. Fica amargando seus tormentos internos sozinho. Ou se é capaz de se abrir com seus colegas, não vai ouvir repreensão, discordância, mas aquiescência.

 

Não se confronta liderança, mas se fala por trás

Numa sociedade onde meu valor é determinado pela posição que ocupo junto a liderança, qualquer discordância é extremamente perigosa. Se ouso confrontar ou apenas discordar da liderança me arrisco a perder o favor social que tenho. Então o que faço? Minha discordância tem que ser expressada de alguma forma  para que eu continue me sentindo humano. A cultura providencia então um espaço para dissonância. É um espaço inicialmente marginal, mas que se legitima  à medida que a dissonância cresce. É o que chamamos de “falar pelas costas”.

Não é pecado no Brasil falar mal de líder para outros, desde que se justifique fantasiando com “preocupação”, “vamos orar”, aliás  este “falar nas costas” é quase uma obrigação do liderado.

O comportamento do indivíduo fica à mercê de duas forças culturais que se opõe. A primeira que vamos dizer que metaforicamente  opera de cima para baixo é a necessidade de lealdade. O estilo de liderança aqui promove a lealdade acima da competência. O sujeito quer ser leal, porque a lealdade é vista como virtude. Esta lealdade o compele a aceitar calado os erros do líder, a tecer-lhe elogios constantes mesmo quando não merece, a fazer vista grossa a seus problemas. Ele sabe que sua sobrevivência no sistema depende desta dinâmica.

A outra força compele o sujeito para cima.  Todo mundo quer mais espaço, quer ser visto, quer “vencer”. Como o modelo de lealdade cega não promove baseado em competência mas relacionamento, cria um espaço para a constante insegurança. Bolman  and Deal, autores do best-seller “Reframing Organizations” descrevem esta atmosfera de liderança chamando-a de “Cenário Político” e até usam a metáfora da lei da selva para descrevê-lo. E é um modelo usado até intencionalmente em culturas organizacionais de empresas com excesso de individualismo. Ou seja, porque a liderança não se define por valores coletivos, e/ou não atribui ao indivíduo valor nem espaço para tomada de decisões, se estabelece o vale tudo.

A essência desta cultura de liderança é o conflito de poder e as coalisões baseadas em interesses mútuos. A definição essencial de liderança neste contexto é “um processo realista de tomada de decisões e alocação de recursos no contexto de interesses divergentes e de necessidade.”(Bolman 1991, 181) Ou seja se beneficia aquilo que se interessa, para se obter o que interessa.

A cultura de vergonha não permite a redenção

Vamos rever rapidamente o conceito de culturas de vergonha e culturas de culpa. Apesar da antropologia moderna procurar não fazer julgamento de valor sobre culturas melhores ou piores que outras, o fato é que alguns conceitos essenciais tem consequências sociais irrefutáveis. A cultura latino-americana tem sido uma cultura de vergonha, provavelmente uma herança da dominação moura de 700 anos sobre a península. (Para uma leitura sobre honra/vergonha na América Latina veja (Johnson 1998)).   Culturas de vergonha empregam desgraça social como sanção para comportamento fora da norma. A vergonha social destitui o individuo de seu valor inerente. Ele não é mais a pessoa, se torna o pecado, ou o crime que cometeu. Culturas de culpa inserem o fator redenção  no processo de sanção. Resume-se o conceito assim:  em culturas de culpa – eu fiz algo errado, em culturas de vergonha – eu sou um erro.

Paul Hiebert (1985) explica que em culturas de culpa existe o alívio: a confissão. Em culturas de culpa está estabelecida a redenção através da devida punição. Uma vez punido e redimido o indivíduo tem seu espaço restaurado porque seu valor em nenhum momento foi colocado em questão. Em culturas de vergonha tornar seu pecado/problema público só exacerba a dor. Quanto mais pessoas sabem, mais vergonha se acumula, menos compaixão se recebe. A vergonha culmina na execração pública total, o ostracismo. Numa cultura de vergonha não existem mecanismos pré-estabelecidos de redenção social. Uma vez pecador, sempre pecador. É  impossível de se recuperar a dignidade. O escárnio público sempre vai acompanhar o dissonante.

DE VOLTA AO CAIO

Depois que a dissolução de seu casamento veio a público Caio sabe que não há redenção possível para si dentro do universo cultural brasileiro. A pecha do adultério vai sempre estar sobre a sua cabeça. O que ele faz? Se volta contra ela. Se estabelece como oráculo de uma nova moral anti-moral.

 

O Caio não pretendeu ser perfeito, nem se colocou na posição de semi-Deus. Pelo contrário descreveu bem a síndrome dos que se embriagam de poder. Mas infelizmente não deixou de ser vítima da cultura que o endeusou. Esta cultura é inescapável. Enquanto nós não a destruirmos, intencionalmente, desmascarando-a, despindo-a do falso glamour que tem, colocando-a no raio X.

Erros de um ídolo?

1. Ele chama a hipocrisia brasileira de hipocrisia evangélica ou religiosa.

Mas os mecanismos de comportamento que o levaram ao ostracismo e à vergonha não são cristãos. Pelo contrário a verdadeira cultura cristã é a cultura da culpa, não da vergonha. Em Cristo todos somos encontrados pecadores e somos todos redimidos. Em Cristo o meu pecado e o seu se igualam assim como a redenção que nos é oferecida na cruz. Foi a hipocrisia da cultura brasileira não redimida por Cristo que o condenou.

2. Ele não torna pública a sua jornada de perdão.

Se Caio perdoou ou não seus algozes é problema interno dele. Não julgo o seu coração. Um homem que prega e conhece a graça conhece também o poder do perdão. Mas seu perdão não é público, sua graça não é pública. Não existe perdão oculto se o pecado foi público. Assim como não existe a graça que discrimina entre este ou aquele grupo. O caminho da graça tem que estar aberto para todos inclusive aos inimigos.

Amo uma música do Atilano Muradas que nos chama a amar os pobres e as crianças abusadas, mas também a amar os políticos corruptos e os abusadores que praticam a violência contra a crianças. Me lembro que engasguei na primeira vez que ouvi a canção. Mas se não posso amar os mais vis pecadores (inclua nesta lista os religiosos) não posso professar a cruz.

3. A partir dele, se criou uma ambiguidade na mensagem cristã.

Se não existe pecado ou o mal não pode existir também a redenção. A graça só existe porque existe o mal. Na era pós-Caio muitos embarcaram na mensagem ambígua da cruz sem pecado. A culpa não é  dele mas a coisa virou um fenômeno cultural, típico de um país de análises superficiais e argumentos vazios.  Uma vez numa conferência com outros líderes numa conversa com um garoto pastor de uma igreja percebi que ele se vangloriava do pecado na sua igreja como se fosse algo não só aceitável mas desejável.

Não podemos nos esquecer do paradoxo da cruz. Porque sou amado como estou, com meus pecados e imperfeições sou impelido para uma busca do amor, da santificação de vida (que no original hebraico significa ordem), da reforma moral.

A luz do amor de Cristo brilha nas trevas para iluminá-la não para torná-la mais densa. Meu relacionamento com Cristo não se baseia na compra e venda de minhas boas ações e se justifica na minha pseudo-santificação.  Mas o amor dele me faz melhor.

Se usássemos a fórmula do AA (Alcoólatras Anônimos)  nas nossas reuniões seríamos certamente mais saudáveis. “-Oi. Sou a Braulia. Pecadora e muito.” Não me dou o direito de julgar ninguém, porque maior é a misericórdia que o juízo.

Salve Caio. Parabéns pela entrevista. Sigamos juntos no Caminho.

(Braulia Ribeiro) Retirado do seu blog: http://ultimato.com.br/sites/brauliaribeiro/2014/06/25/caio/ 

 

Referências

Bolman, Lee G. Deal Terrence E. 1991. Reframing Organizations : Artistry, Choice, and Leadership. San Francisco: Jossey-Bass.

Hiebert, Paul G. 1985. Cultural Anthropology. Grand Rapids, Mich.: Baker Book House.

Johnson, Lyman L. Lipsett-Rivera Sonya. The Faces of Honor Sex, Shame, and Violence in Colonial Latin America. University of New Mexico Press 1998. Available fromhttp://public.eblib.com/EBLPublic/PublicView.do?ptiID=1594549.

Matta, Roberto da. 1997. Carnavais, Malandros E Herûis : Para Uma Sociologia Do Dilema Brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco.

 

Tenho sido cobrado a comentar a entrevista do Caio.

Escolhi fazer isto aqui, na carona do artigo da Braulia Ribeiro.

Achei a análise da Braulia brilhante, na verdade, a única opinião inteligente que li até agora sobre o assunto. Abriu a conversa para ver a questão toda do ponto de vista sociológico, que é mesmo o viés que faltava ser explorado, para além do lenga-lenga e do rame-rame de sempre dos horrorizados leitores das orelhas mal lidas dos compêndios teológicos… 

É assustador constatar que só há uma meia dúzia de opiniões -para um lado ou para outro, diga-se- que vale a pena ser ouvida em toda a igreja evangélica. Fiquei feliz de ter ouvido uma opinião -crítica ao Caio, negativa mesmo- mas muito inteligente ontem no Mackenzie. Espero que o autor se disponha a escrever sobre o que me disse. Vai ser bom promover um debate de alto nível!

Voltando ao artigo da Braulia…

Acho bom que se vire o disco com a proposição de novos  questionamentos entre os  que formam opinião,  já que a massa seguidora sempre irá cheirar o rabo do que vai à frente… E, cá para nós, a maioria já agrega mofo ao fedor habitual.

As questões teológicas, as discussões periféricas sobre ETs , babas e física quântica,  os possíveis juízos breves não me interessam de maneira alguma. Tenho a felicidade de poder desfrutar da fonte, muitíssimo mais do que cabe em 30 minutos de um talk show e tenho tido a oportunidade de discordar e concordar com o que me parece bem, ou não.  Caio é meu mano. Sei o que ouço e tenho ouvido e aconselho a quem queira saber que o assista, sempre que puder, no seu espaço na Vem e Vê TV onde ele segue dizendo o que diz desde muito tempo e, a quem restarem dúvidas, que pergunte a ele próprio pois, em sua generosidade imensa, nunca deixa ninguém sem resposta. E bíblica! E quem seguir discordando,  à luz do que conhece da Palavra e do caminhar com Deus, o que é um direito de cada um, sempre será enriquecido com a inteligência do debate, mesmo quando seguir convicto do que já cria e segue crendo. 

Já  no que tange aos questionamentos da alma, àqueles relacionados à misericórdia e ao perdão de almas também perdoadas, já não carrego mais a esperança de ver o amor sobrepujar o ódio e os corações se voltarem ao próximo entre o povo que se diz “de” “deus”.  Com a massa evangélica, se não é a burrice que inviabiliza o entendimento é o ódio ou a ganância que servem de anti-aderente para o encontro da alma com o Amor. Como  profetizado nas Escrituras, vale dizer.

Caião, seguimos nus pelo Caminho, porém vestidos. Risos!

(Danilo Fernandes)

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2014/06/sobre-entrevista-do-caio.html#ixzz35fLxWvUo
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3 Comments

  1. Jeferson disse:

    Caio é autentico? com certeza! Polemico? ás vezes…! Mas fato é que consegue sair da mesmice dos pregadores dessa geração com seus discursos manjados e jargões decorados, mas com muito pouco, ou ás vezes nada de evangelho genuíno. Melhor do que assistir ao Caio é lê-lo, e nesse aspecto verifica-se que ele não mudou em nada durante esses anos, apenas escolheu o outro lado da trincheira pra continuar sua luta. Um homem brilhante, talvez á frente de seu tempo, temo que essa geração só vai de fato entender o Caio depois que ele se for, depois que se tornar uma espécie de “mártir” dessa geração, ainda sim, sua obra vai ecoar por um bom tempo na cabeça dos que o admiram, e princialmente na cabeça daqueles que ele sempre denunciou abertamente, citando nomes, datas, fatos, etc…

    Porque será que ninguém ainda teve coragem de o processar? Porque ninguém o interpela publicamente contestando suas críticas e posicionamentos muitas vezes fortes e pesados acerca da sociedade evangélica brasileira e seus mecanismos?

    Caio tem minha admiração e meu respeito, afinal, lendo a bíblia sempre admirei aqueles que se posicionam contra todo tipo de sistema controlador e tirano, ainda que fosse a própria “igreja”. Ter essa liberdade de contestar, de expor o evangelho sem “barganhas”, sem o esquema, tendo apenas Jesus como tema central é quase loucura para a igreja atual, afinal, Jesus não seria Jesus sem a liturgia, ou será que seria?

    Não sou nenhum anti evangélico, afinal frequento uma denominação evangélica também, mas é impossível ver as coisas no ponto em que chegaram e ficar indiferente a isso tudo! Caio é uma espécie de João Batista dessa geração, sei que muitos querem sua cabeça numa bandeja, mas aprouve ao Senhor dar a ele mais tempo de vida pra que seja essa voz ecoando no subconsciente de uma geração que se vê tão pobre de referencias cristãos como a nossa.

  2. ageu lechenacoski disse:

    Esse Senhor mais uma vez prestou um desserviço a comunidade evangélica,caio fábio está longe de ser pastor(apascentador),vejo um homem de alma ferida que não perdoa quem “bateu na sua face”e chega a ser desonesto quando explica o porque que o derrubaram(me pegaram quando eu divorciei..não contando ao Brasil o porque desse divórcio)enfim..inteligência 1000 sabedoria 0000 sem mais…

    • Ageu, Antes de mais nada obrigado pela participação e acesso ao meu site, sobre sua opinião é válida, e com certeza pertinente. Só devo acrescentar ao seu comentário um pedido para que se possivel assista a um vídeo neste link : https://www.youtube.com/watch?v=ytDqvg925uI o que sei (do pouco) que li e conheci sobre o Caio, é que ele nunca escondeu o fato que levou ele a divorciar, pelo contrário, foi ele quem se auto-denunciou por não conseguir viver mais com culpa. Mas enfim, como havia dito sua mensagem foi ACEITA por mim e publicada.

      Abraços

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