Racismo? Nunca sofri, não sofro e nunca sofrerei! Fernando Macedo

Quem fala

Antes de me chamar de capitão do mato, comedor do biscoito de branco, o negro da casa grande, saibam que…

“Negar o racismo, é a pior das artimanhas de um racista enrustido!”
Fernando Macedo

Sou filho de Lúcia Macedo (segundo o IBGE, parda), e de Fernando Macedo (negro), meus avós maternos: D. Nininha (branca) e Sr. Durval (descendente de índio), avós paternos: D. Nita (Negra-descendente de escravos) e Sr. Valentim (descendente de Índios).

Sou de periferia, nasci e me criei em Cosme de Farias (saiba mais) antes de ir para o Colinas de Pituaçu (saiba mais) e atualmente estou morando em Lauro de Freitas. Digo isto para que não pensem que sou rico, filhos de pais ricos, e que herdou uma herança milionária e que por isso não posso falar o que negro sente na pele.

Subi e desci pelas vielas, da Baixa do Tubo, Ladeira do Silva, Alto Formoso e Bonocô, fui abordado várias vezes por traficantes enquanto vinha da casa de meus avós, até me tornar conhecido deles, e passar sem interrupções.

Minha infância no Colinas, iniciou na faixa etária dos 12 anos, onde conseguia brincar de tudo com os amigos próximo ao prédio, jamais ir para o largo, principalmente o “Rafão”, onde normalmente se concentravam alguns dos jovens que já namoravam  e faziam uso de drogas. (Saiba mais)

Resumindo bastante a conversa. Cresci assim, acompanhando pelos meus pais até onde eles podiam, mas quanto mais eu ia crescendo, mais ia ganhando espaço geográfico, até chegar ao campo da bica (Atrás do colégio David Mendes Pereira) para jogar bola. Lá foi onde tive meu primeiro convite para “ser batizado”, mas consegui negar, obvio que não era fácil ser tachado de “careta” até porque nessa fase, já havia interesse em meninas que por sua vez, gostavam mais dos “bichos soltos” e ser aceito nos grupos já era uma necessidade. Tive então a primeira superação vencida.

Vendi picolé escondido de meus pais, o dinheiro era para poder compra revistas de piadas e anedotas, gibis da turma da Mônica, ou jogar Street Fighter no fliperama. Fazia de tudo para não depender do dinheiro suado de meus pais.  Meu pai, que já sabia pela sua história ser o único negro bancário na época, estava desempregado, e tocava a vida se esforçando dignamente para trazer o pão de cada dia para dentro de casa vendendo brinquedos. Minha mãe, trabalhando  na casa lotérica. Aos poucos meus pais foram melhorando nos cargos por onde passavam e  as coisas foram melhorando. Mas lembro-me em alguns momentos, de só não ter passado fome, mas a escassez era real.

Eles sempre davam um jeito, minha mãe, além de trabalhar na casa lotérica “fazia cabelo”(alisava e cacheava cabelos). Meu pai, vendia peças em Inox, Tramontina. A merenda minha e de minha irmã mais velha nessa época era farinha com açúcar. Mas sem criar nenhuma história piegas e dramática, foi por pouco tempo,  não foi sempre assim, tivemos bons momentos graças a Deus.

Educação Escolar

Estudei no Bolívar Santana, bem no Centro Administrativo da Bahia. Não, nunca fui mal tratado na escola por ser negro, estudei em escola pública todo o ensino fundamental/médio.  Não tenho lembrança de nenhum preconceito sofrido, pode até  ter existido, mas como sempre falo, acredito que naquela idade apesar de todo racismo enrustido ou velado em nossa sociedade, em mim passou despercebido.

 Sou sabedor que a cada 23 minutos um jovem negro morre! A maioria dos meus amigos de infância que entraram no mundo das drogas, se envolveram em crimes e morreram foram negros. Lembro também que um amigo de infância que achava que me ofendia ao me chamar de “negro preto do bozó” também era negro. E só me sentia ofendido pelo “bozó” porque conhecíamos como um trabalho de macumba (ebó) feito nas encruzilhadas por alguns adeptos do umbanda e candomblé. Mas ser “chamado de: “negro preto” rsrsrs jamais foi ofensa, pelo contrário, isso era minha evidência.

 Contexto histórico

Dito isso, não me diga que não sei o que é ser negro e pobre. Experimentei ser preto, pobre e ainda estou experimentando! E não, não pense que não conheço as minhas dores, de meus amigos, parentes e familiares.

Sim, uma vez que as escolas em sua totalidade são eurocentristas mesmo, e nunca duvidei disso.  Sei que  parte do povo negro não conhece  sua história, e aí acho que é interessante que os movimentos ativistas se valham, de conscientização histórica, cultural, social para nossos manos,  principalmente os acontecimentos próximos do XVI até o XIX  e seus desfechos , até porque boa parte sabem que a abolição da escravatura acabou, sem sequelas principalmente na distribuição de terras, pós escravidão. Inclusive sem indenização, pelo menos aqui no Brasil.

Cotas para negros / Lei das cotas – 12.711/12

Sei que o assunto relacionado as cotas, é muito mais abrangente do que se imagina, e que teoricamente parece “bonitinho” como modelo de ação afirmativa que foi implantado na metade do XX nos anos 60, no EUA, especificamente incluía brancos e negros, e que lá (EUA) visando combater desigualdade social, econômica e educacionais e que no mínimo foi uma voz de “Basta”!  Mas para mim, não deixa de ser utópica para o propósito de completa igualdade entre raças. Pois creio, que primeiro que EUA, diferente do Brasil, já existia uma distribuição de renda e terras diferente daqui. Mas para o Brasil, que só chegou em 2004 não vislumbro, nem a curto e médio prazo, talvez longo, sendo bem otimista, desde que seja aplicada da forma correta.

No mais, a cota fere meu mérito (Lógica do mérito) , me desmoraliza. Cotas para quem estuda em  escola pública (como fez a UNCAMP ou UNIB pioneiramente)  por injustiça sociais, que ao meu ver, é eterna, não deixa de ser uma ação interessante, mas não como solução. São maiores os números de pessoas negras e pobres , creio que no EUA por exemplo, se popularizou por ser uma ação emergencial e provisória, com prazo de validade, e não como regra perpetua.

Em tese, o assunto de cotas, segue burocraticamente alguns pontos discutíveis, porque seguem regras que se valem de: quantidade total de vagas nas universidades federais, Institutos de tecnologia e ciência para alunos oriundo de ensino médio público 50% e os demais 50% para ampla concorrência e 50% destes, destinados a estudantes com renda inferior ou igual a 1,5 salário mínimo percapita e 25% para negros, pardos e indígenas. E a outra metade 25% para os demais da ampla concorrência. Outra parte é destinada para alunos de escola pública com renda maior que 1,5 salário mínimo percapita. E metade desta mesma vagas para negros, pardos e indígenas e a outra metade para demais concorrentes. Neste misto de cálculos, penso: Como tratar igualmente os desiguais? Conceito dos reparos históricos com base em matemática burra, não exata, não me anima como solução, mas confesso não saber dizer como se resolveria isso.

A Cota como inclusão social, econômica e educacional, tem seu efeito positivo, mas racial? Não enxergo. A UNIB, informou a cota se justifica porque corrige uma injustiça étnica, onde apenas os brancos teriam oportunidades e não os negros aos cargos de prestigio.

A verdade é que o estado não nos deu uma boa educação/escola – Melhor seria se as cotas fossem de camadas sociais, de camadas diferentes.

Não acredito que reparação histórica vá resolver alguma coisa, pois a partir daí vai ter que relevar cotas, principalmente racial, para tudo, por exemplo: Indígenas. É muito pano pra manga, não acha? Evoco, a possibilidade de fazer cumprir a constituição em seu art 5º.

 Como ingressei na faculdade?

 

Oriundo de escola pública, paguei a minha faculdade (administração)-privada com o dinheiro de salário do emprego de assistente administrativo, saía do trabalho as 18hs, e pegando carona com um amigo (Everaldo) íamos para a faculdade juntos, de Piatã até Costa Azul, com engarrafamentos angustiantes, chegando na sala, sempre atrasado contava com a compreensão dos professores que por saberem que vinhamos direto do trabalho, flexibilizava fazendo a chamada apenas no segundo horário. Por várias vezes, ficava em pé no fundo da sala para que não pegasse no sono, tempo para estudar? Madrugada ou fins de semana quando alguns estavam em lazer. Concluí, e desta graduação consegui mais 3 promoções nesta mesma empresa até chegar ao cargo de gerencia. Depois mais tarde, iniciei uma pós, aos sábados, depois outros cursos: Psicologia (em andamento) e filosofia(todos a noite). A busca do conhecimento, a dedicação em meio as dificuldades, em meu caso, antes de eu ter meu próprio negócio foram conquistados com renuncia de alguns momentos prazerosos. Não era difícil ouvir amigos de classes sociais diferente da minha, conversarem comigo, e dizendo que eu levava os estudos muito a sério. Normal, eles tinham seus estudos pagos pelos pais. Mas resumindo bastante a história aqui, a lei da semeadura é implacável e não enxergou gênero, raça ou condição social neste caso, pois alguns anos depois eu contratei este amigo para trabalhar na empresa em que ocupei o cargo de gerente executivo.

Entendo da intenção de reparação histórica de anos de exploração e que tenta minimizar as diferenças sociais e econômicas. E que quase 51% da população ser de negros, temos uma conclusão do motivo do país ser o mais miscigenado do planeta terra, segundo IBGE.

Dizem também que os alunos cotista possuem um rendimento acadêmico baixo, e que futuramente isso pode na eficácia da formação deste aluno no futuro, o que abre vazão para outro tipo de problematização: de que os alunos cotistas não são confiáveis, e como seria isso detectado no futuro, basta ser atendido por um médico negro. Embora a ASSESSORIA DE PESQUISA E INFORMAÇÃO, tenha desmistificado essa possibilidade de que o rendimento de cotistas são iguais ou mesmo até superior no sistema universal, e acredito nisso, justo pela bandeira que defendo de que o negro, por sofrer o que sofreu e sofre, tem sua dedicação mais aflorada e por isso seu empenho é maior em todos os sentidos, apesar disso minha preocupação parece coerente de que mesmo costista, o problema parece não ter fim se formos por este caminho, me deixa uma impressão de enxugar gelo, ou de deixar que a burocracia coloque o problema para debaixo do tapete. E que o real problema do estado, (sua incompetência e impotência) no que tange ao ensino básico de qualidade para todos, passe despercebido.

Penso também, que o sentimento que fica em mim, por mais que pareça um senso comum, é de que a cota é por si mesma, uma ação racista e que em partes, fere minha dignidade, como se eu tivesse que pedir esmola ou usar bengalas para caminhar. E que de certa forma, me inferiorizaria, caso eu tivesse esta disposição, do qual não tenho, mas já não posso falar o mesmo de todos os meus irmãos.

Negro em alto escalão profissional

Uma lembrança que tenho bastante clara  é de seguranças negros me seguindo no interior das lojas Americanas, mesmo após eu ir para fila com dinheiro na mão. Sempre tive uma boa orientação doméstica de meus pais sobre comportamento ético e moral. Por mais que parecesse normal para alguns amigos meus furtar chocolates, eu não conseguia.

Neste mesmo período, vendi ouro, entrei em um negócio de vendas de sabonetes líquidos (erva doce), depois uma loja de calçados até conseguir ir como estagiário no BOB’s, em seguida fui convocado para o alistamento militar obrigatório onde ingressei e cumpri nas fileiras do Exercito Brasileiro meu serviço a pátria com um orgulho indescritível.

Após a prestação de serviço, recebi uma oportunidade de trabalhar em uma empresa de segurança com carro forte, mas neguei por ser armado e extremamente perigoso, fiquei um ano procurando relocação até ser indicado por um amigo (Gil) para uma vaga de porteiro em uma empresa de segurança em 2001. Lembro-me de ter comparecido para entrevista junto com meu pai, aprovado ingressei na empresa pela qual passaria meus longos 12 anos com quase 7 promoções.

A primeira, com alguns meses através de um bom atendimento a uma “estranha” que chegou ao meu posto de serviço de carro e que a direcionei ao destino orientando-a conforme se fazia necessário, tirei a corrente e liberei sua passagem, despedindo-a em seguida com um: “Tenha um bom dia!”

Logo em seguida, fui convocado a empresa para uma entrevista de promoção, a “estranha” era a filha do dono da empresa, que surpresa com o atendimento até então, absolutamente normal, foi diferenciada para ela. Meu colega de serviço, não costumava dar bom dia para ninguém, simplesmente pelo fato das pessoas que passavam por nós antes de abaixarmos a corrente, não fazê-lo. Para mim, era muito claro a ideia de que primeiro: Cada um dá exatamente aquilo que tem. Como eu tinha, eu dava, educação! Sem falar que aquele era meu serviço, simples serviço.

A maioria dos meus amigos negros vinham com discursos como este: “Não nos cumprimentou, porque somos negros” Já pra mim, não enxergava desta forma, eram apenas mal educados mesmo! Não, não acho que os negros em sua maioria fazem mi mi mi, mas acredito que potencializam os discursos vitimizantes, e isso não me representa, principalmente quando utilizado para fins de racismo pelo racismo.

Não estou minimizando o racismo. Detesto deixar esta impressão! Não tenho a bandeira de combater o racismo com racismo, mas sei que ele existe. Acredito que minha presença na existência como negro, onde eu estiver tentarei ser um instrumento de des-racialização, não creio em categorias de cores pré-determinadas em um país miscigenado, SOU DA RAÇA HUMANA, mas não nego que exista racismo em hipótese alguma.

Quando alcancei a gerência executiva de uma empresa por esforços humanos próprios, sem bengalas, sem padrinhos, sem paraquedas, mas acima de tudo pela graça de Deus, para o movimento ativista negro, eu era um um negro no alto escalão de uma empresa com filiais em 9 estados do Brasil. Para mim, e minha família um jovem que lutou, se esforçou e alcançou com muita dificuldade alguns dos seus objetivos, apesar de tudo.

Eu era responsável por aproximadamente mil pessoas, e posso afirmar que não privilegiei negro porque não acho que devo julgar ninguém pela sua cor de pele,  contratei pelas habilidades e competências que possuíam. Sim, dei prioridade em processos seletivos pessoas negras fruto de 65% da população mais carente socialmente e economicamente diagnosticado pelas necessidades pessoais destacadas nas entrevistas e que a despeito disso, tinham habilidade e competência ou perfil básico suficiente para a vaga.

 Não, não demiti brancos sem motivo algum, apenas para mostrar meu poder ou fazer qualquer tipo de vingança, ou reparação histórica, como me foi sugerido por um amigo negro.

Sim, ouvi de um amigo negro, que ficou feliz por minha chegada a empresa, porque era negro e que agora eu era um instrumento de “deus” para colocar partes dos negros no poder! Acreditem, não estou nem aumentando nem inventando, foi exatamente assim.

O que aproveitei para fazer com o cargo que exerci, foi exaustivamente palestrar e incentivar negros, brancos e demais a refletirem em minha história de vida, minha busca e meu caminho, e como cheguei até ali, com todas as dificuldades imagináveis, com todos obstáculos possíveis, sendo apenas um exemplo para alcançar seus objetivos.

Racismo Invertido/inverso

 

Não acredito na possibilidade de validar um racismo invertido, não, isso é ridículo, o branco jamais terá qualquer sequela, de qualquer ofensa, deste nível. No entanto, reconheço em meus irmãos negros, principalmente da militância, os atos preconceituosos de protesto por negros se relacionar com brancos. Eu também posso falar isso, pois minha esposa (Thais Barros) é branca. Quer dizer, não pode existir atração por amor que vai além da escolha de raça? Ou terei que pedir para a subjetividade do amor, também fazer prevalecer a escolha de reparação histórica? Esquisito este assunto né? Claro que daí, envolve várias outras argumentações, de conceito de belo, de forma de fazer sexo(amor), de escolhas por curiosidade, de estereótipos sobre o tamanho do determinado órgão masculino, etc; E para reflexão, sugiro que assistam um filme escrito, dirigido e produzido por Spike Lee: “Febre da Selva” este tema, é abordado, e mostra claramente a atitude preconceituosa por parte de ambos, mas principalmente do negro. É o racismo pelo racismo. E por falar em filme, está em Cartaz no Galuber Rocha pelo Panorama Coisa de Cinema o curta escrito, dirigido e produzido por Dinho Negryne: “Falha Justa” que tambem tenho participação.

Apropriação cultural

Não, não acho que é apropriação cultural, até porque nenhum dos costumes de uma determinada raça ou cultura devem deixar de ser utilizado por outros.

Não é por resistência negra, ou luta por reconhecimento, nem por auto-afirmação , mas por ser livre para fazer o que quiser. Foi por isso, que vi, acompanhei lutas de líderes negros históricos como Martin Luther King, Nina Simone, dentre outros, mas um pedaço de pano???

Negros são pessoas, e isso foi defendida seriamente por pessoas dignas que registraram sobre suas habilidades e competências. Defesa da humanidade de uma única raça. Que negro pode ter uma vida diferenciada não apenas por ser jogador ou cantor.

Se qualquer simbologia gerar segregação, sua luta contra o racismo foi contraditoriamente perdida. Sem sentido algum.

Empoderamento negro?

Quer mesmo empoderamento? Que seja de saber, trabalho e conhecimento. Que sejam  dignos e honrados, sem ferir outros e sua liberdade de expressão. Que não se utilizem de frases como: “Orgulho de ser negro”, para não ter que despertar nos outros, este mesmo sentimento segregacionista, ou você negro ativista, não vai se assanhar ao ver o branco utilizar uma camisa: “orgulho de ser branco?”  Sem ser tachado de  racista? Dois pesos, uma medida?

Acho que a maioria dos negros se discriminam. Não precisa lembrar a ninguém que você é negro, todos já perceberam isso! Somos negros!!!! Sou negro preto! Como dizia meu amigo de infância! rsrsrs

Representatividade

Bonecas, revistas, novelas, Cabelos, Jesus branco dos olhos azuis, presidentes, atores, embaixadores.

Acho importante sim, ter uma boneca negra, tô com vocês ativistas, mas deixem a filha de vocês escolherem também a boneca branca certo?? Não cometam a maldade de influenciá-las a serem racista na fase de maior vulnerabilidade da vida delas, que é do desenvolvimento humano, físico, emocional e intelectual de uma criança ou adolescente. Sejam diferentes dos racistas.

Querem estar estampadas nas capas de revistas? Vocês podem! Negros e negras belos e belas, lindos, já não são novidade, mas o que me dizem de criar uma revista por nome RAÇA, que só tem negros?? Acham coerente? Cuidado, esta história já conhecemos. Ofereçam oportunidades para os negros editores, colunistas, fotógrafos, modelos, sim, sim. Mas sejam conscientes e mostrem o quanto somos nobres, e diferentes dos que fizeram dívidas histórica com vocês e mostrem-se não racistas, dei aos brancos tais oportunidades na própria revista também, como modelos. Sobre atores, digam para seus atores negros, já renomados se posicionar e não mais aceitar fazer papeis de empregados, ou de ladrões, e de protagonistas, não vou citar nomes, mas sabemos que já existem muitos deles aí né mesmo? Já tem dinheiro suficiente, e experiência suficiente para escolherem não ser mais um escolhido, e sim, o que escolhe, o que dirige, o que determina, mas vejam lá o que farão com este poder, não nos envergonhe, vejam o exemplo do Pantera Negra, a maioria era de atores negros, excelentes por sinal, mas tinham brancos no elenco, em toas as posições. Sobre políticos negros, já existem, vocês sabem disso, aí agora não é mais questão de raça, mas de caráter, que nossos representantes negros no legislativo, judiciário, e executivo sejam diferenciados, chegamos tão longe, para estragarmos tudo né mesmo?

 

Por fim, sobre Jesus negro, não se faz necessário tal discussão, é muito simples, esqueçam o Jesus de olhos azuis, e branquelo, estudem geografia, situem-se onde o Jesus histórico nasceu, conviveu até seus 33 anos, e encerre este assunto.

 

Privilégios, lugar de fala.

Claro que há privilegio dos brancos, mas a pergunta é? O que você vai fazer a despeito disso? Claro que concordo que um branco, não deve ser aquele que melhor defina sobre racismo, pois de fato, esta deve ser particularidades de quem sofre na pele, compreendendo sua própria condição. Tô com vocês ativistas, o assunto é melhor discutido por quem sofreu na pele. Sei  que alguns idiotados falam que tem sangue negro correndo nas suas veias, mas relevem, estes não estudaram biologia, para saberem que tratam-se de fenótipo e não sangue. Mas cuidado com sues tons de fala, no congresso, nas mídias sociais, estão parecendo Silas Malafaia preando!! Muita raiva nas expressões, calma, entendo o misto de emoções, mas tenham um pouco mais de elegância, paciência, e assertividade. Afinal, não são vocês que falam que somos descendentes de príncipes e princesas? Vamos agir então como tais!!!

Todos temos preconceitos, fomos mal educado desde sempre, o “Não fale com estranhos” envolve inseguranças e negam suas ambivalências. Normal. Sei que você tem uma vontade enorme de jogar na cara deles que sua melanina que tanto despertam ódio, nos dão menos chances de câncer de pele, menos catarata, menos envelhecimento. Que não somos bons apenas em hip hop e rap. Ou pichadores de muro com grafite. Mas que podemos ser sim, doutores e mestres não apenas de capoeira, mas da vida!

Concluo, com algumas das respostas que dei sobre alguns questionamentos feito a mim:

Você fala assim, porque tem dinheiro e é conhecido – Você não é minoria!

Existe racismo. Existem pessoas que são movidas por “ismos” para o bem ou para o mal, O racismo não acabará pelo fato de pararmos de falar no assunto. Assim como a corrupção não acabará se pararmos de falar, não é neutralidade, não é omissão, é a ação pela não reação do jeito e forma como eles querem. O negócio é mais complexo do que se imagina não é modismo, isso é o que é desde sempre. Penso que está em como reagimos, é fato é que entendo que nem todos terão a oportunidade de ter voz e nem a chance de optar por não reagir, pagam com a vida pela ação de imbecis, que para estes casos agente espera que se aplique a lei. Não sou rico e nem famoso, e tento por onde caminho deixar claro que RACISMO existe, é real, e o melhor enfrentamento é com o que SOU, e o que faço com o que SOU.

Quando você diz que nunca sofreu  racismo, você não está sendo neutro?

Quando digo, “Nunca sofri, não sofro e não sofrerei” não significa que não fui vítima em algum momento, significa que apesar de…”, seu racismo não me atinge!! Nunca me atingiu e não me atingirá! Não darei ao opressor nenhuma oportunidade de me atingir! Não podemos ser omissos, e para isso entendo que consigo combater a “ofensa” com uma forma de dizer. NÃO ME ATINGE, porque não penso como você (agressor)! E claro que isso não me impede, de utilizar-me da justiça para que possa registrar o crime de racismo!

Explico: Se me chamam de “macaco”, como foi o caso de do Aranha, entendo que ele não se importou com o nome do animal comparado a ele e sim com a intenção dos opressores (penso). E é neste ponto que digo, não me atinge! Mas enfim, nas questões sociais, nas implicações de  agressões verbais, impedimentos de acessibilidade, cerceamento, quando fere o direito constituído de alguém e esse alguém tem a pele escura, amarela, deve existir uma ação enérgica e imediata de acordo com a lei.

O problema é quando criamos como resposta mais um “ismos” também a favor dos “direitos” negros! Aí começamos a criar revistas para negros (RAÇA), novelas só de negros (Em breve, quem sabe?), passarela de modelos só de negros (já deve existir, sei lá) , dia do negro e aí essa bagaça nunca acaba, entro no jogo do OPRESSOR e aí sim transformamos as vítimas em vilões!

Como descendente de escravos negros  e índios, digo que o racismo deve ser combatido sim! Mas acredito que não devo pegar ponga nesta discriminação para praticar outra discriminação. Qualquer indício de racismo ou prática dele deveria servir de combustível para nós negros, como exemplo de resistência e superação. Precisamos ter cuidado com a supremacia negra, que talvez, você ache ridículo eu citar isso, mas acreditem, é como vejo alguns ativistas tentando manter a maldição hereditária!

Homens de Honra (Men of Honor) de 2001, um dos melhores filmes baseado em fatos reais que já assisti. Não consigo enxergar falando de racismo, em momento algum ouvi da boca do Carl Brashear interpretado por Cuba Gooding Jr,sentimento algum de vitimização. Se  me perguntar o que me marcou neste filme, direi: -CORAGEM, DETERMINAÇÃO, FORÇA DE VONTADE, SONHO E SUPERAÇÃO! Talvez, isso seja exatamente a diferença de mim para outros manos meus negros. A forma de enxergar!!

Como digo: – Racismo não está na pessoa cujo declaramos que sofre e sim em quem fala e pensa sobre isso! Em geral, nossas lutas não são diferentes dos demais seres-humanos e o que vier a mais, ora, que seja como combustível para fé e superação!

Quando digo “não me afeta” quero dizer que não me faz sofrer! Não me deixo ser sequestrado por isso. Não muda o que faço e nem o que sou. Quando escuto ou até mesmo percebo que tentam me atingir no tocante a raça de cor, eu simplesmente tento não deixar que o que tentam, potencialize a partir de mim, eu não me deixo afetar, minha reação  é de agir pela denuncia, “NÃO DE OMISSÃO”, é a resposta para que isto não encontre guarita em mim, realçando a estupidez dos que achavam que me ofendiam. Não é a NEGAÇÃO DO RACISMO, é a afirmação que existe mas não me atinge, não muda em mim o que sou ou o que faço. Que meus irmãos negros tambem passem a ter esta ação de inteligência emocional suficiente para neutralizá-los e não deixarem impunes.

Para aqueles que ainda não compreenderam a nocividade do racismo, ou mesmo acham que não existe sugiro que assistam o documentário que descobrir há alguns anos atrás por meio de um amigo (Dilson Cunha)  e que acho extraordinário para o despertar da consciência documentário “Olhos Azuis”, da professora branca Jane Elliot.

No mais,

Que o Eterno, Criador dos céus e terá, e de tudo que nela há, dentre tais o homem a sua imagem e semelhança, cujo um dia estaremos diante dele, sem definição de cores, nos abençoe e nos guarde com graça, e discernimento para aplicar o amor até a transcendência,

 

Fernando Macedo

TAGS: , , , , , , , , , , ,

0 Comentários



Deixe o seu comentário.

Deixe seu comentário