Não é um livro qualquer! Por Dinho Negryne

Não é um livro qualquer!

Em O livro de Eli, filme produzido e estrelado por Denzel Washington, percebemos que mesmo os não declarados “cristãos de carteirinha” conseguem contar uma história – descontando os excessos normais nas adaptações cinematográficas— que pode conduzir crentes e não crentes a reflexões a respeito de religião, fé e, principalmente, que o mal uso das escrituras não é feito por cristãos genuínos.

A história acontece em um mundo pós apocalíptico, trinta anos após uma explosão nuclear, a qual matou muitos habitantes e danificou ainda mais a camada de ozônio, fato que trouxe os raios ultravioleta de forma mais intensa e obrigou os sobreviventes a usarem óculos escuros durante o dia para protegerem as vistas.  Um homem é escolhido por Deus para levar o último exemplar da Bíblia Sagrada até um lugar onde há uma maneira dela ser mais uma vez compartilhada.

Indagaríamos: Não teria Cristo já retornado a essa altura? Ora, se lembrarmos que as escrituras dizem que o tempo é o de Deus e não dos homens, aceitaremos este pressuposto de ficção, pois, só O Senhor Deus sabe o dia e hora.

No início do filme, o diretor mostra o céu e logo em seguida o protagonista, uma referência da ligação do personagem Eli com o criador.  A fotografia do filme é realçada em preto e branco.

Eli é cego, mas tem seus outros sentidos bastante apurados e em sua jornada enfrenta muitas dificuldades para cumprir sua missão. O personagem afirma ter escutado uma voz para conduzir o livro até o Oeste e mantém sua fé nesta tarefa. Quando questionado se isso fazia sentido ele afirmou: “Fé não tem que fazer sentido”.

Observamos, que ao se deparar com ladrões um destes diz aos comparsas: “Kiss him” que significa em Português: beijem-no, quando na verdade tencionou dizer: “Kill him”, matem-no, observado pelo próprio personagem Eli.

Já diríamos que este escolhido já demonstrava ter uma unção, uma proteção divina, haja vista alguns não conseguiam atirar nele e os que atiravam não o atingiam, enquanto ele defendia-se muito bem.

O antagonista na trama, Carnigan (Gary Oldman) ambiciona o livro, para isso, contrata mercenários para procurá-lo na terra insólita. Este utiliza um traje vermelho contrastando com o preto, o que nos pareceu (cores culturalmente creditadas a entidades malignas em algumas seitas) proposital.

Carnigan ostenta poder, é o líder de uma comunidade e lê sobre Mussolini, aliado de Hitler na segunda guerra mundial.  Controla o suprimento de água, e é preciso dizer que quase ninguém sabe ler, fato que lhe confere outro poder, o do conhecimento.  Os mercenários trazem alguns livros encontrados por eles, entre os tais está O Código Da Vinci (Obra de blasfêmia, a qual o autor trata de relacionamento carnal entre Cristo e Maria Madalena).  Ao ser indagado por um de seus capangas a respeito da busca por um simples livro, assim responde o vilão: “Não é apenas um livro, é uma arma apontada diretamente para os corações e mentes dos fracos e desesperados. Vai nos dar controle sobre eles”.  Tais palavras mostram que alguns utilizam ou distorcem as escrituras para atenderem a seus propósitos.

O lobo em pele de cordeiro pode te dizer algo com o livro sagrado aberto, no entanto, você precisa examinar, meditar e contextualizar o que você lê e principalmente pedir entendimento a Deus.

Na ficção em questão, o personagem diz: “Farão o que eu disser, já aconteceu antes”.  Por isso é preciso ter muito cuidado, “reter o que é bom”.  Existiu e sempre existirão aqueles que querem se apoderar do livro sagrado para dominar, manipular e desvirtuar muitos.

Ao chegar ao destino, a fotografia do filme muda, as cores passam a ser exibidas e Eli cumpre sua missão.

O personagem durante o filme faz várias citações da Bíblia e afirma que a lia todos os dias durante trinta anos.

Há algo muito interessante no fato do escolhido para essa missão ser cego, ou será que não é?

O Livro de Eli (The Book of Eli)

Direção: Hughes Brothers

Distribuição: Sony Pictures

Roteiro: Garry Whitta

Dinho Negryne é professor de Inglês, Músico, cantor , compositor e amante das letras.

5 Comments

  1. Simone disse:

    Mto bom! A reflexão e análise crítica devem estar presentes em todos os momentos das nossas vidas.

  2. Lion disse:

    Filme show de bola, pena que no final deu problema aqui hehe
    vi ate a parte que a casa eh metralhada :p

  3. Rose disse:

    Um dos fatos do escolhido para essa missão ser cego, seria a escrita do Livro? Tem mais coisa né?!

  4. J G disse:

    Não é de se comparar mas comparando… o Livro de Eli me faz lembra Missão Babilônia. O desejo de solucionar os problemas e a falta de conhecimento da Humanidade, junto com Ambição dos “líderes” foi umas das coisas que encontrei nos filmes.
    E como diz meu Teacher: “Very Good!”. Tá aí um Texto que cria bons debates (…)

  5. ana disse:

    muito bom! boa análise!

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