A pregação e os direitos do Evangelista Por Aurelino Cruz

Tema (completo): A PREGAÇÃO DO EVANGELHO E OS DIREITOS DO EVANGELISTA.
(Aurelino Da Cruz – 12/01/14)

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Texto-Chave: 1Co 9.4-15 – “Não temos nós o direito de comer e beber? E o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas? Ou somente eu e Barnabé não temos o direito de deixar de trabalhar? […] “Se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida? Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao Evangelho de Cristo. (v-12). “Não sabeis vós que os que prestam serviço sagrado do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento?” (v-13). “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho que vivam do Evangelho.” (v-14); “eu porem, não me tenho servido de nenhuma destas cousas e não escrevo isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, antes que alguém me anule esta glória. ”(v-15)

Introdução: Como ser um Cooperador do Evangelho e não um obstáculo ao seu progresso? Vivemos numa sociedade em que seus cidadãos são “cheios de direitos”, nos parecendo que a nossa vida é norteada somente por direitos. Direitos humanos, direitos das crianças e dos adolescentes, direitos dos consumidores, direitos trabalhistas, direitos das minorias, etc. São muitos os direitos instituídos pelos homens. Vejo através das Escrituras que os Pregadores do Evangelho também têm os seus direitos! (continua…)

I – UMA DECISÃO ESPIRITUAL – (1 Co 9.12-15) – Não fazer uso dos direitos de um Evangelista é uma decisão espiritual
Paulo nos diz que devemos ser cooperadores do Evangelho de Cristo e não um obstáculo ao progresso dele. Embora possuidor do conhecimento de que esses direitos lhes era assegurados pelo próprio Evangelho, ao pregar o Evangelho de Cristo, Paulo entende que é melhor não utilizá-lo, preferindo antes, suportar necessidades básicas como: falta de comida, bebida e vestimentas, a fim de não se tornar um peso para a Igreja e para o Evangelho. Vemos que o Apóstolo além de cuidar da Igreja do Senhor Jesus, ainda trabalhava na confecção de tendas, para promover o seu próprio sustento (At 18.3).
O Apóstolo sustenta que, embora lhe fosse totalmente lícito, e a todos quanto se ocupavam da Pregação do Evangelho, de serem assalariados pela Igreja, ele, particularmente, não usaria desse direito legal, para que não se tornasse um fardo para Igreja, e que isso viesse a ser um obstáculo para a propagação do Reino de Deus.
Paulo nos diz em 1Ts 2.9: ”Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadigas; e de como, noite e dia labutamos para não vivermos à custa de nenhum de vós, vos proclamamos o Evangelho de Deus.”; e em 2Ts 3.7-10: “pois, vós mesmos estais cientes do modo por que convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós, nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes. Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma.” (continua…)
Reflexão:
1) O que você entende “ser sustentado pela Igreja” e “necessidades básicas como comer, beber, vestir e estar abrigado”?
2) É lícito a Igreja manter seus “líderes” da maneira como alguns exigem – dentro de suas “regalias”?
3) Qual deveria ser o salário de um pregador do Evangelho?
4) Você concordaria com Paulo em abrir mão dos seus direitos de evangelista e sustentar-se com suas próprias mãos? Que representaria isto para o avanço do Reino de Deus?
5) Você concorda ser uma decisão espiritual esta questão? Por que?

II – (1Co 9.15,17) Digno de Salário ou Galardão?

Este é um grande exemplo que Paulo nos deixa como recomendação: “do modo por que convém imitar-nos”; “a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes”. É muito importante perceber, que ele tinha a consciência desse valor, pois, ao abrir mão desse direito, Deus lhe daria uma recompensa, que seria algo maior, melhor e eterno, o qual ele chama de “galardão” (v-17):
“Se o faço de livre vontade, tenho galardão” (1Co 9.17).
Em outras palavras, Paulo sabia que tinha esse direito legal de ser sustentado pela Igreja ou de “viver do Evangelho” (v.14), mas que não se utilizava desse direito (vv. 12,15a), depositando-o inteiramente no Altar do SENHOR, como oferta de aroma suave. Paulo entendia que agindo assim, ele teria uma “glória” especial ou um “direito legal” diante de Deus, o qual ninguém poderia lhe anular: “…porque melhor me fora morrer, antes que alguém me anule esta glória.”(v. 15).
Ao realizar a Obra do Senhor dessa maneira, Paulo estava contribuindo para o crescimento do Reino de Deus aqui na terra e colaborando com a propagação do Evangelho de Cristo, sabendo que Deus tinha promessas melhores, superiores e eternas para ele e para todos aqueles que assim também o faziam “… antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao Evangelho de Cristo.” (v-12). (continua…)

Reflexão:
1) O que você entende “ser sustentado pela Igreja” como direito legal?
2) O salário pode ser um obstáculo ao avanço do Evangelho de Cristo?
3) Você concordaria com Paulo em abrir mão dos seus direitos de evangelista ? Que representaria isto para o avanço do Reino de Deus?
4) Você concorda que salário e galardão são diferentes? Por que?
5) A decisão de Paulo é possível hoje? Não estaria ele equivocado?

III- (Fp 3.13-14) Conquistar o Alvo é cooperar com o Evangelho de Cristo.

Paulo entendia que o mais importante não era a sua vida particular, nem as suas necessidades, mas em realizar o Propósito (alvo) que Jesus Cristo lhe havia chamado e comissionado. Jesus também declarou que o maior propósito de Sua vida era fazer a Obra que o Pai o incumbira de realizar (Jo 4.34).
Paulo nos diz que prosseguia para conquistar o alvo: “Mas prossigo para conquistar aquilo para o qual também fui conquistado por Cristo. […] Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp 3.13-14) e “Tudo faço por causa do Evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.” (1Co 9.23).
Certamente, Paulo havia aprendido isso através do exemplar comportamento do Mestre, pois que Jesus também renunciou alguns dos seus direitos e abriu mão de seu “Status de Deus” por amor a nós : “…Cristo Jesus, o qual, tendo plenamente a natureza de Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, mas, pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo plenamente a forma de servo e tornando-se semelhante aos seres humanos” (Fp 2.6-7).
O Apóstolo nos acrescenta como exortação: “tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5), como se estivesse exortando a si mesmo: “De sorte que haja em mim o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus”. Qual sentimento? – De Renuncia aos seus direitos por Amor e Gratidão ao Pai e ao Seu Reino.
Por trás de toda pregação autêntica e sincera, há um mandato (chamado) do Senhor, que produz uma irresistível motivação divina no coração do homem (Rm 1.14; At 20.26).
Jesus nos ensina na casa de Simão, o fariseu, que: “…o grande amor por ela (pecadora) demonstrado prova que seus muitos pecados lhe foram perdoados. Mas onde há a necessidade de pouco perdão, pouco amor é revelado.” (Lc 7.47).
Paulo alimentava esse “santo orgulho” de não depender das ofertas dos irmãos para sua sobrevivência, embora ainda assim as recebesse, e reivindicasse esse tipo de atitude cristã e generosa em benefício de todos aqueles que trabalham a serviço do Reino e dos irmãos nas igrejas. (continua…)

Reflexão:
1) O Alvo a ser conquistado é o mais importante para você? Comente.
2) Ser um cooperador do Evangelho exige abnegação, inclusive de salário?
3) Na sua opinião, qual o “sentimento de Cristo” que devemos ter?
4) Qual deve ser a verdadeira motivação de um pregador?
5) Comente sobre “prossigo para o Alvo” X Reino de Deus.

IV – (1 Tm 5.17-18) O trabalhador é digno de Seu salário

Em sua carta ao seu jovem discípulo Timóteo, Paulo reforça a ideia de um trabalho abnegado para todos os líderes da Igreja, porém não proibindo, nem deixando de reconhecer o merecido salário daqueles que se afadigam na obra do Senhor:
“Fiel é esta palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito.” (1Tm 3.1-4; Tt 1.7);
“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário.” (1Tm 5.17-18).
Quando o Senhor Jesus enviou seus apóstolos para pregar, também lhes recomendou fazê-lo com a mesma motivação, afirmando que todo trabalhador é digno do seu sustento: “e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça daí. Não vos provereis de ouro, nem prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.” (Mt 10.7-10). (continua…)

Reflexão:
1) Existe diferença entre a afirmação de Jesus e a de Paulo quanto à recompensa pelo seu trabalho? salário X alimento X sustento?
2) Comente sobre ‘ESTÁ PRÓXIMO O REINO DOS CÉUS’, brevemente.
3) Que significa para Paulo o bispo ser “não avarento” como qualidade?
4) E quanto aos “merecedores de dobrados honorários…”? comente.
5) E quanto ao “… de graça recebestes, de graça dai” de Jesus? comente.

V – CONCLUSÃO: (2Co 6.1-10) Servir ao Evangelho de Cristo é uma escolha e um privilégio.
“E nós, como cooperadores de Deus, vos exortamos a não acolher a graça de Deus de forma inútil…Não damos motivo de escândalo em coisa alguma, a fim de que o nosso ministério não seja achado em falta. Ao contrário, como servos de Deus, recomendamo-nos de todas as maneira…” (2Co 6.1-10).
O apóstolo Paulo zelava por sua vida com Deus e por seu testemunho como apóstolo (missionário e ministro de Cristo). Diferentemente dos falsos mestres do seu tempo (que viviam muito bem em função do dinheiro que extorquiam de religiosos incautos).
Paulo pagava um preço muito alto por sua conduta sincera e verdadeira. Ele nos recomenda a prática de uma vida abnegada, porque havia aprendido que as verdadeiras riquezas não se consistem em bens mundanos, mas em ser rico para com Deus ( Lc 12.15-21) e que o cristão deve preservar seu maior e mais precioso bem, que é A HERANÇA DE CRISTO (Fp 4.19; Cl 2.3).
Paulo nos ensina a sermos exemplos para a congregação dos santos, inclusive, nos exortando a perseverarmos no princípio da prática do Amor ao próximo e da Fé em Deus, sabendo que naquele Dia seremos verdadeiramente recompensados por Cristo (Ap 22.12; 2Tm 4.8)).
Paulo, por sua devoção a Cristo, se tornou um homem livre da lei (v-20); das responsabilidades de um lar, ao optar por uma vida celibatária (1 Co 7.6.32); das demandas da sociedade secular (1 Co 7.23); do domínio das vontades carnais (1Co 9.25) e de qualquer dívida por favores ou ofertas recebidas (Rm 13.8).
Paulo não apenas deixou de exercer o direito de receber pagamento material por seu trabalho, mas se privou de várias outras prerrogativas sociais e eclesiásticas em função do seu grande objetivo de evangelizar (ganhar) o mundo para Cristo (1Co 9.19).
O apóstolo Paulo nos ensina que não somos apenas expectadores na vida cristã, mas operosos praticantes da fé e das boas obras, para a glória do nome do SENHOR. Ele nos mostra que, ao entendermos esse princípio, AVANÇAMOS buscando a cada dia conhecer os propósitos de Deus para nossa vida, com o fim de atingi-los plenamente.

REFLEXÃO:

1) Por Amor e Gratidão a Deus, Paulo abriu mão do SEU DIREITO de Evangelista, Pastor e Mestre da Igreja de Cristo. ELE nos diz: “Tudo faço por causa do Evangelho, com o fim de ser um cooperador com ele” (1Co 9.23);

2) Por Amor, JESUS CRISTO abriu mão da SUA GLÓRIA DE DEUS, onde, esvaziando-se de Si mesmo se fez homem, tornou-se O servo sofredor, doando Sua vida na Cruz, para o perdão de nossos pecados e resgate eterno;

3) Por Amor a todos nós, DEUS, O PAI, abriu mão do SEU FILHO AMADO JESUS, que lhe dá prazer, e o fez morrer na cruz por nossos pecados.

4) E quanto a você e mim? O que temos renunciado por Amor a Deus e a Jesus Cristo, e à Sua Igreja e ao Seu Evangelho?

Autor: Aurelino da Cruz
Fontes: A Bíblia Sagrada _ JFA – RC e Novo Testamento – King James –KJA – Edição de Estudo

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