A Alternativa dos alternativos -Com Jonathan Híbrido

Jonathan Híbrido é um carioca de 28 anos, apóstolo na Comunidade PinGODagua e líder da Base de Jacarepaguá situada na Cidade de Deus. É membro da Universal Zulu Nation, organização com o objetivo de difundir a Real Cultura Hip Hop e seus cinco elementos. Coordena o Coletivo Intervenção Crew que trabalha com exposições artísticas evangelísticas, ações sociais e palestras na área de sexualidade e cultura Hip Hop. Além disso é MC, tendo seu 1° trabalho lançado esse ano, intitulado “Assim eu Sou”.

 Jonathan Híbrido entrevista

Jonathan Híbrido entrevista

Ladrões de Cortina: Frente ao conservadorismo tradicional das Igrejas, têm surgido novas alternativas de prestar culto a Deus independente do formato. Ministérios alternativos surgiram em diversos cantos do Brasil. Como você se posiciona diante desse fato?


Jonathan Híbrido: É um fato que, desde a criação, o plano de Deus é a comunicação com os seus filhos, e esse objetivo sempre fez com que Ele usasse da sua multiforme graça para se comunicar de forma que fosse entendido. Então vejo esse movimento como uma das formas de Deus se fazer entendido, ensinando doutrinas primitivas com uma nova identidade. Não é uma nova igreja, também não é uma volta à igreja primitiva, é a mesma igreja preservando os princípios fundamentais da fé cristã: comunhão, oração, partir do pão, doutrina dos apóstolos, fé, arrependimento, santidade. Qualquer coisa que fuja disso nem deveria ser chamado de igreja.

LdC: Os ministérios alternativos cristãos são destinados à evangelização de tribos urbanas e marginalizados sociais. O alvo principal é a juventude urbana que não se encaixa nos moldes da cultura dominante. Você, junto com o ministério PinGODagua, se inclui nessa proposta?

JH: Na verdade não. Nosso objetivo é ensinar “toda criatura” a amar a Deus acima de todas as coisas, independente de sua identidade, e usar seus dons para pregar as boas novas. não temos foco em um determinado grupo, pois a Palavra do Espirito que nos foi dada é cuidar de todos que Deus enviasse, então é isso que fazemos. Não queremos ser um gueto e sim um povo. A igreja não é um local para que as pessoas se sintam confortáveis, nesse caso, por não ter ninguém olhando torto para elas, mas um lugar onde todos serão confrontados nos seus pecados, como a intolerância e o “faccionismo”. Ou seja, todos precisam ser abraçados: tribos urbanas, mendigos, pais, avós, classe A, B ou C. O objetivo do PinGODagua é ser uma igreja pra a família.

LdC: Uma das bandeiras levantadas pelos militantes do movimento cristão underground, é o fato de que Jesus foi um indivíduo marginal, que vivia à frente de sua cultura e convivia com maltrapilhos e discriminados pela sociedade. Considerando essa verdade, qual o principal motivo da intolerância contra grupos alternativos dentro da igreja?

JH: Na verdade, essa intolerância não começa dentro da igreja, mas no meio da sociedade em que vivemos. Esses valores vêm como uma bagagem num fundo falso de quem diz que deixou o mundo pra trás. Contudo, se percebe que não é bem assim quando as opiniões pessoais e preconceitos ainda são visíveis excluindo pessoas e tomando a frente do “amar o próximo como a si mesmo”. Jesus não vivia só no meio de maltrapilhos e marginalizados. Maltrapilhos não fazem festas de casamento, não davam banquetes, não tinham exércitos. Muitos nem tinham um sepulcro pra enterrar seus entes queridos. Jesus andava no meio da sociedade. Por outra via tem um grande problema no movimento underground cristão quando os mesmos são tudo que eles próprios reclamam. Mais uma denominação, mais uma igreja “faccionista” que exclui o corpo tanto quanto foram excluídos; reproduzem a mesma intolerância que viviam no mundo, contra a “sociedade”, mas agora direcionam à chamada igreja institucional. Se não amarmos a igreja que nos resgatou do mundo, mesmo com seus defeitos, e não fizermos o possível para restaurá-la, estaremos cometendo os mesmo erros.

LdC: No início do Séc. XX ainda havia resquícios do tradicionalismo europeu no meio religioso. A música, as vestes e a estética de devocional era bastante diferente do que se pode ver nas Igrejas de hoje. O rap, o rock (em todas as suas vertentes), o reggae, dentre outros estilos já podem ser ouvidos dentro de alguns templos, algo que seria absurdo há alguns anos atrás. Como você identifica essa transição?
JH: Jesus advertiu o povo para que orássemos por mais ceifeiros, devido a grande ceara. Glória a Deus que o principio foi entendido e por isso, hoje, estamos aqui com uma identidade diferente, estilos diferentes, formas diferentes, mas pregando o mesmo evangelho. Penso que essa abertura é um entendimento dessa verdade, uma aplicação de que todos os povos precisam ser alcançados e ninguém melhor para fazer isso do que irmãos que foram vocacionados. Vejo como cooperação mútua: o corpo servindo ao corpo. E, a partir do momento em que essas pessoas são alcançadas, elas também têm suas formas de expressão que glorificam o nome de Deus. Isso tem de ser manifesto para que o ciclo não pare.  LdC: Você identifica algum perigo nessa nova fase da Igreja, onde a existência dos grupos alternativos é manifesta com maior liberdade?


JH: O perigo está na igreja de hoje se afastar da igreja que nos alcançou. O Corpo está se estendendo, não se separando. Temos que cuidar de uma igreja frágil, pois seu período de vitalidade já passou, contudo continua sendo Corpo e, por mais idosa que esteja, ainda dá frutos. O seu modelo arcaico nos inspirou com suas histórias de vitória. Se contribuirmos com o mundo a destruir nossos patrícios e não cooperarmos para que ela continue dando frutos, aí sim fracassaremos.

Entrevista tirada do site : www.ladroesdecortina.com.br

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